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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O PROFESSOR ALFABETIZADOR NO CONTEXTO DA ALFABETIZAÇÃO NO BRASIL


Refletir profundamente o significado do investimento no ensino escolar e a alfabetização é fundamental para os que estão direta e indiretamente envolvidos na definição de rumos para o nosso país e, portanto, distinguir os destinos das futuras gerações. Inserir uma boa educação no mundo de hoje, pode-se verificar que ela não é um peso, uma despesa, um encargo improdutivo a pesar sobre os ombros dos governos e da coletividade. Ao contrário, ela é um investimento de alto retorno, uma fonte inesgotável de riqueza e de sabedoria para futuros adultos. A alfabetização e a educação básicas como área estratégica e cada vez mais autônoma ainda que limitada para a objetivação de projetos políticos e sociais decorrentes de urgências de cada época, ao mesmo tempo em que se vão produzindo reflexões e saberes que configuram o movimento de escolarização do ensino e aprendizagem da leitura e escrita.

Palavras-chave: Alfabetização, Didática, Professor Alfabetizador.

1 INTRODUÇÃO

O presente trabalho consiste fazeralgumas reflexões sobre a alfabetização no Brasil e o professor alfabetizador e sua didática.Em nosso país, a história da alfabetização tem sua face mais visível na história dos métodos de alfabetização, em torno dos quais, especialmente desde o final do século XIX, vêm-se gerando tensas disputas relacionadas com antigas e novas explicações para um mesmo problema: a dificuldade de nossas crianças em aprender a ler e a escrever, especialmente na escola pública.
A prática do professor alfabetizador deverá garantir aos alfabetizando oportunidade de superação dos conhecimentos que já possuem, elaborados a partir da sua prática social. O processo de alfabetização inclui muitos fatores, e quanto mais ciente estiver o professor de como se dá o processo de aquisição de conhecimento, de como a criança se situa em termo de desenvolvimento emocional, de como vem evoluindo o seu processo de interação social, da natureza e da realidade lingüística no momento em que está acontecendo á alfabetização, mais condições terá esse professor de encaminhar de forma agradável e produtiva o processo de aprendizagem da criança.

2-ALFABETIZAÇÃO NO BRASIL

O Brasil tem hoje cerca de 16 milhões de analfabetos. Segundo a pesquisa realizada pelo Ministério da Educação (MEC), metade deste número está concentrada em menos de 10% dos municípios do país. Mesmo não sendo inéditos, os dados do Mapa do Analfabetismo são alarmantes. Em nosso país existem aproximadamente 16 milhões de pessoas incapazes de ler e escrever pelo menos um bilhete simples. Considerando-se o conceito de analfabeto funcional, que inclui as pessoas com menos de quatro séries de estudo concluídas o número salta para 33 milhões.
De acordo com o MEC, a concentração de analfabetos em grandes cidades poderia ser uma vantagem para o trabalho das equipes de alfabetizadores, devido às facilidades de transporte e infra-estrutura que não existem na zona rural, por exemplo. Mas existem controvérsias Crianças foram enfiadas na escola com o único objetivo de melhorar a posição do Brasil no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) para, assim, diminuir o Risco País. É claro que há mais crianças na escola hoje do que ontem, até por conta do crescimento demográfico natural. Mas o que se percebe é que para o governo pouco importa o que elas aprendem ou mesmo se aprendem. Uma vez que estão na escola, o IDH do Brasil melhora e o Risco País cai, ou seja, mais uma vez, em nome da economia o humano é sacrificado. O presidente Lula defende que a meta do Programa Brasil Alfabetizado não é um objetivo que se resolva exclusivamente com a determinação do governo federal. Segundo ele numa entrevista Aguiar:
O programa tem o envolvimento de toda a sociedade nessa mobilização. Certo, isso é fato. Mas o uso desse argumento pelo governo, não justifica a falta de ânimo para investir todo o potencial que o país poderia em educação. A mobilização de dez milhões de pessoas pode ser menos fácil do que a de dois milhões. Porém não é impossível. (AGUIAR, p.5.2009).
A alfabetização, relacionada ao novo contexto histórico-social, não é mais um momento, um breve processo, mas um caminho dividido em várias etapas, em que se desenvolve não apenas o conhecimento da língua falada e escrita, como também a compreensão, a conscientização, o uso dos mais diversos símbolos e linguagens que, inclusive, colaboram para superar o chamado divisor digitais. Quando o contexto exigia uma alfabetização mais simples, o Brasil perdeu a oportunidade de democratizar esta via incontornável de acesso à cidadania.

3- O PROFESSOR ALFABETIZADOR

Em tempos modernos, quando o professor se percebe como um indivíduo em contínua aprendizagem, ele muda a relação que tem com o saber. Mas não é só isso: ele precisa voltar a ser aluno para aprender a ensinar por outra perspectiva. Saber ensinar é tão importante quanto saber aprender. Ensinar é desenvolver estratégias de aprendizagem. É vivenciar diferentes papéis. O que é alfabetização? Qual a sua principal função na sociedade contemporânea? Atualmente o que significa ser um professor alfabetizado?
Alfabetização é o processo pelo qual as pessoas aprendem a ler e a escrever. Entretanto, esse aprendizado vai muito além de transcrever a linguagem oral para a linguagem escrita. Alfabetizar-se é muito mais do que reconhecer as letras e saber decifrar palavras. Aprender a ler e a escrever é apropriar-se do código lingüístico-gráfico e tornar-se, de fato, um usuário da leitura e da escrita. (CAGLIARI, 1989).
O professor hoje passou a ser o eterno aprendiz. Alguns fatores mostram o desenvolvimento dessas capacidades: Primeiro, a atitude de querer aprender; O segundo fator diz respeito às competências e habilidades, o que poderíamos chamar, simplesmente, de desenvolvimento de aptidões cognitivas e procedimentais; O terceiro fator refere-se à aprendizagem de conhecimentos ou conteúdos. O professor passou a ter como objetivo primordial garantir a aprendizagem da leitura e da escrita em um universo mais amplo. Ele atua com postura construtivista valoriza um ambiente alfabetizador, que facilite a interação do educando com os mais diversos tipos de textos, dentro de um clima de liberdade para participar das propostas e construir o ato de ler e de escrever.
Considera que ler é atribuir significado, o que ocorre pelo uso de estratégias de leitura de decodificação, seleção, antecipação, inferência e verificação a partir do conhecimento prévio e dos índices fornecidos pelo texto. Procura trazer para a sala de aula tudo que possa motivar a criança, despertar sua curiosidade e o desejo de ler, utilizando a decodificação possível naquele momento, como identificar a letra inicial, final ou as intermediárias para antecipar o significado da escrita de, por exemplo, painéis contextualizados, receitas, rótulos de produtos bem conhecidos, que auxiliarão na produção de textos individuais e coletivos, pois considera que é possível ler quando ainda não se sabe ler convencionalmente, e que é dessa forma que se pode aprender, tratando os alunos como leitores, desde sua entrada na escola.
Nas oportunidades de interação com textos reais, mesmo sem saber ler convencionalmente, os alunos poderão questionar explorar e confrontar suas hipóteses, registrando suas próprias escritas. A correspondência letra-som é um conteúdo fundamental, mas apenas um dos inúmeros conteúdos que a criança precisa, necessariamente, dominar na aquisição progressiva da linguagem escrita. Considera-se a alfabetização uma parte constituinte da prática da leitura e da escrita, onde, na interação com os textos, a criança constrói o seu conhecimento, as hipóteses a respeito da escrita e, dessa forma, progressivamente aprende a ler e a escrever, compreendendo as relações que existem entre fonemas e grafemas, codificando e decodificando, pois a alfabetização acontece como resultado da reflexão sobre as características e regularidades da escrita, sendo a palavra um meio para isso. O construtivismo coloca em evidência as hipóteses que as crianças formulam, testam, reorganizam, assimilam, acomodam e formam novas hipóteses até adquirirem a forma convencional da língua escrita. Há uma leitura seqüencial com conteúdo significativo, de modo que a criança vê a escrita como um objeto social.
4-DIDÁTICA DA LEITURA E ESCRITA
A aprendizagem da leitura e escrita não se realiza da mesma forma para todos os alunos. Muitas crianças chegam à escola com idéias bastante claras a esse respeito, sabem que são lidas coisas escritas e não desenhos. Que um livro tem um título, que lendo pode-se saber o que está dito em um texto.Como professor precisa ter consciência de que os conhecimentos, para poderem ser ensinados, passam necessariamente por uma transformação em relação aos seus contextos de origem, porém, é muito importante evitar que nesta transformação percam seu significado, seu sentido original. Ao mesmo tempo em que se preserva o sentido do objeto do conhecimento é indispensável que se proteja o sentido deste saber do ponto de vista do sujeito que trata de reconstruir esse objeto, isto é: a criança. Por essa razão, a transposição didática deve implicar em fidelidade ao saber de origem assim como fidelidade às possibilidades do sujeito de atribuir um sentido ao dito saber.
Deste modo ante um conhecimento complexo tendemos a delimitá-lo em conhecimentos parciais, porque partimos da suposição que a fragmentação facilita a compreensão. Mas, ao delimitá-los em fragmentos autônomos, provocamos sua descontextualização, porque na realidade os fragmentos que separamos fazem parte de complexos processos de interrelações e assim estamos desconectando a rede de problemáticas que lhes dão sentido completo. Assim, instauramos uma ruptura entre o modo de ensinar e o modo de aprender, pois que o sujeito que aprende não se depara com a realidade analisando um pedaço de cada vez, e sim, o faz, tratando de entender como funciona, analisando os aspectos que seus esquemas cognoscitivos lhe permitem observar, tratando de encontrar e dar um sentido ao que está fazendo.
Uma das formas de dominação de que estão revestidas as práticas escolares de leitura e escrita é a difusão da idéia e da forma de leitura a ela correspondente, de que o sentido de um texto se encontra nele mesmo, acessível pela leitura silenciosa na busca interna de seus significados e que faz abstração das suas condições e contexto de produção.
A essa maneira de ler um texto, sem se referir a nada a não ser a ele mesmo, nós estamos tão habituados que o universalizamos inconscientemente. Daí que, tomar consciência disso é a única maneira de escapar do efeito dessas condições. (CHARTIER, 1996, p. 270).
Um dos caminhos, portanto, para a superação dessas formas de dominação é a análise dos sentidos e das ações escolares que as sustentam para que se tome consciência delas. "É preciso fazer a crítica da universalização dessa maneira particular de ler, que se pode chamar estrutural." (CHARTIER, 1996, p271), que trata o texto como auto-suficiente e faz abstração de tudo o que está ao seu redor. E que fez esquecer não só que a possibilidade de compreensão do texto depende da familiaridade do leitor com o universo simbólico e material que o produziu, como também, que as situações de leitura são historicamente variáveis: a leitura nem sempre foi algo de foro privado, íntimo, que remete à individualidade. Atividades essas, portanto, que ultrapassam a capacidade individual de ler, incluindo nelas indivíduos que não sabiam decifrar os códigos escritos, mas que nem por isso estavam excluídos das atividades de leitura. Outro aspecto a ser considerado no entendimento e na superação dessas formas dominantes de leitura é o da análise dos sentidos e das formas de resistência dos alunos a elas.
O fracasso na leitura dos alunos, filhos de emigrantes e de grupos de baixa renda na França, é decorrência da resistência não consciente dos alunos à sua conversão às formas escolares impostas de leitura e relação com a linguagem. Socializados a partir de outra lógica de relação com a linguagem, característica das culturas orais (produção coletiva dos sentidos, significações buscadas no contexto etc.), resistem às formas de imposição escolar. (LAHIRE, 1993; p34)
Assim, uma das razões para essa resistência, segundo o autor, está no fato de que as relações pedagógicas de aprendizagem se colocam em oposição àquelas que caracterizam as trocas verbais, cujos sentidos são construídos na interlocução. Ao exigirem uma leitura solitária daquela que deve buscar internamente ao texto, seus significados, desconsidera que eles foram fixados por uma cultura escrita, só acessível aos que compartilham do mesmo capital cultural.

5-CONCLUSÃO
Pode-se chegar à conclusão queo professor alfabetizador defronta-se, na maior parte das vezes, com um grande dilema: ele está consciente do enorme compromisso, que tem, de iniciar os seus alunos pelos caminhos da leitura pelo mundo da palavra, e sabe também que da qualidade desse trabalho é que depende, em muito, o sucesso da formação; por outro lado, sente-se despreparado para essa que é a sua mais importante missão. No Brasil, precisa-se de mudanças profundas nas políticas, na formação dos professores, na qualidade das pesquisas e nas didáticas de alfabetização.
Hoje, a educação não pode mais ser vista como uma simples transmissão de informações.Isso a televisão ou a internet fazem melhor do que muitos professores. O desafio da educação do século XXI e, na verdade, ensinar a conhecer , transformar informações em conhecimento, a ter um projeto de vida e a conviver o que introduz a dimensão da cidadania.

REFERÊNCIAS
CHARTIER, Anne-Marie. Ler e escrever: Entrando no Mundo da Escrita.Porto Alegre: Artemed Editora, 1996. p.270, 271.
CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetização e lingüística. São Paulo: Scipione, 1989; p53.
LAHIRE, B.: Cultura é Critica inteligente na Escola: Uma Experiência Inovadora2. Ed. Petrópolis: Vozes . 1993.p.34.
AGUIAR. Shirley Mayara de O. – Existe desenvolvimento econômico e social sem educação? Produzido e atualizado por Assessoria de Comunicação da ASSEEC e Teia Digital.nº67.p.05 .
http:// www.asseec.org.br. Acessado em: 09 maio. 2009

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